Fred Rocha
4 de janeiro de 2016

2016 ou você põe primeira ou engata a ré

Era uma vez um empresário que acompanhava atento tudo que saía na mídia, assistia televisão que criava panoramas as vezes otimistas e outras nem tanto em relação ao mercado e o varejo nacional. O empresário decidia se iria avançar e investir ou desacelerar e recuar baseado no que ele escutava, afinal se todo mundo está falando a mesma coisa com certeza ele deveria acreditar. Mesmo que as vezes ele observasse que algumas coisas estavam distantes e não se aplicavam ao seu negócio, seria sempre melhor agir com cautela e seguir o que todos estavam fazendo. O que o empresário não enxergava era o poder da mídia para formar opinião e criar paradigmas que na maioria das vezes não são questionados, apenas aceito. O empresário instruído abre mão de pensar e de avaliar sua real condição no mercado e agi simplesmente de forma automática seguindo a comandos. O problema é que quando este empresário se dá conta da sua passividade perante os panoramas geralmente é tarde demais. O mundo não para, as empresas não param de lançar novos produtos e os clientes de consumir. Aí o empresário percebe que não ficou apenas parado, mas que regrediu.

Todo mundo sabe o quanto é difícil abrir e manter um negócio no Brasil. São vários os fatores que tornam a empreitada dos empreendedores um caminho complicado de se trilhar, principalmente sozinho. Não vou aqui me estender e aprofundar em relação a política pública aplicada no país, muito menos a falta de compreensão e incentivo real por parte do governo principalmente no que se refere aos pequenos e médios varejistas. O fato é que quando o mercado não está favorável e as expectativas não são as melhores quase que de forma automática o empresário pisa no freio e acaba desacelerando todo o processo. O problema é que a grande maioria não percebe que apesar de ser uma tendência quase natural, desacelerar não significa apenas ficar onde você já está, mas sim ficar com muito menos do que você já conquistou.

Fatores como inflação, crescimento do PIB abaixo de esperado, taxa elevada de desemprego, entre outros, são elementos que fazem parte do desgaste natural do mercado e atingem diretamente qualquer empresário. Quando isso acontece o primeiro pensamento é desacelerar, esperar para ver pra onde as coisas vão caminhar. É claro que esse tipo de atitude é completamente compreensivo, mesmo porque um empresário precisa arcar com uma série de responsabilidades e não é fácil pra ninguém saber que independente de tudo no início de cada mês ele vai ter que pagar aluguel, contas, funcionários, entre outras tantas despesas, quando a situação não está boa chega a ser assustador.

O que muitos ainda não se dão conta é que o ato de “frear” é individual, você pode optar por desacelerar, mas o mundo não vai parar por isso. Seus concorrentes vão continuar a investir em suas lojas, produtos continuarão a ser lançados com a mesma frequência e o consumidor não vai deixar de consumir para acompanhar o seu momento. Por isso em uma situação de crise ou expectativa baixa o desacelerar pode ser o pior caminho a seguir. A falta de proatividade leva a acomodação e não ter planos e novos projetos é o maior risco em qualquer contexto, seja de crise ou não. O empresário inteligente consegue enxergar na dificuldade uma oportunidade de inverter a situação e até desenvolver seu negócio. Como? Justamente porque a grande maioria vai recuar, desacelerar, e aí surge as oportunidades. Quem tiver de forma consciente a iniciativa de não recuar ou esperar pra ver no que vai dar sem dúvida vai sair na frente e deixar boa parte dos seus concorrentes temerosos para trás.

Esta percepção demostra maturidade mercadológica e é fundamental para que o cenário externo não “assuste” os empreendedores. Não caia no conto do empresário instruído, escute sim opiniões diferentes e informe-se quanto as expectativas do mercado, mas tenha controle e domínio sobre o seu negócio, avalie as suas possibilidades e comece a agir de acordo com suas próprias teorias e percepções.

Fred Rocha

 

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